quantamerda

Sexta-feira, Outubro 22, 2004

DESABALADA CARREIRA
Alguém aí se lembra da desabalada carreira? A velha expressão usada para explicar a velocidade com que um ladrão tentou fugir da policia, foi um dos clichês mais usados pelo jornalismo de tempos passados. Junto com decúbito dorsal, decúbito ventral (para explicar a posição em que um cadáver foi alcançado) e sacramentou a vitória, para aquele gol que coloca números finais ao placar, outro chavão.
A desabalada carreira chegou ao meu cérebro no mesmo instante em que me peguei pensando onde estaria Tião Cesário. Tião, mais que um artista que pulava por várias formas de expressão artística, era um mito naquela Aguaí dos anos 70 aos 90. Toda cidade pequena tem um gênio que canta em prosa e verso. Cesário era o nosso. Um multimídia.
As ruas enfeitadas para o Corpus Christi? Era com ele mesmo, usando tampinhas de garrafa, serragem e pó de café. O Cristo era perfeito. Programa de alto-falante na praça - aqueles do tipo alguém oferece essa música a alguém com prova de alguma coisa - era com ele mesmo. E os matinês, no Cine São José? Hora de trocar gibis, figurinha e ouvir Cesário e seus Rockets, com Uília (só os metidos falavam William), Sidnerges (um dia se cansou do nome e trocou para Sideraldo e isso é pura verdade) e outros que a memória esqueceu.
Tocava jovem guarda, é lógico. E, a cada domingo, dizia que as negociações com a Continental estavam próximas para o lançamento do primeiro compacto simples. Nunca houve, mas o que importa? Azar da Continental.
Cesário era Elvis puro. Jaqueta de couro, costeleta e um inglês que dava para arranhar. Era a segunda parte do repertório. Nos domingos de futebol, Cesário era o DJ. E a trilha sonora ia de Elton John e principalmente Obladiobladá dos Beatles. Furava o disco.
A ligação de nosso herói com o futebol poderia limitar-se ao bom gosto musical com que transformava o intevalo em uma festa, em que a molecada cantava e abusvada do sorvete minissaia - metade groselha e metade laranja - da sorveteria do Sanim. Mas, não, ele queria mais.
E assumiu, não se sabe se por influência do mano Pedrinho Pintado, ótimo meia-direita, assumiu o gol do Flamenguinho. Em Aguaí, sempre houve times assim: Cruzeirinho, Flamenguinho, CBD e outros. O grande clássico, durante certo tempo foi River Plate x Boca Júniors. Antes, bem antes, era entre Associação e Botafogo.
Cesário tinha atitude. Não podia ser um goleiro normal. Chegou todo de preto, impecável, mas com algo diferente no cabelo. Era o cabelo Elvis. Um topete enorme, todo empinado, duro como nunca, à custa de muito gel.
Aí está o problema. Não era gel, que não existia, ou pelo menos não era conhecido por aquelas bandas. Também não era brilhantina ou glostora. O dinhiero estava curto e Cesário recorreu ao velho sabão de coco para se montar.
E lá estava no gol. Uma defesa aqui, outra ali, não comprometia. O ataque adversário não o assustava. Ficou preocupado mesmo foi quando ouviu o primeiro trovão. Que encobriu o apito de João Neguinho, irmão de Romeu do Taviano, juiz naquele dia. Falta contra o Flamenguinho. Briga, empurra-empura, xingamentos, o juiz ameaçado e mais trovões.
Cesário começa a arrumar a barreira e sente o primeiro pingo de chuva. O primeiro de muitos, porque ela veio com tudo. Tião passa a mão no rosto e sente algo ardendo. Coça o olho e a dor era maior ainda. Não havia mais topete. O sabão de coco estava todo no rosto de Cesário. O que era Elvia havia se transformado em pura espuma.
E, em desabalada carreira, como criminoso pego com a boca no botija, deixa tudo, o gol, a atitude e a possibilidade de ser bom também no futebol para chegar, esbaforido,ao banco de reservas, onde se recolheu, chorando, teatralmente. Substituição no Flamenguinho. Cesário deixa o futebol para sempre.
Essa é a primeira história do Tião. A segunda fala de carnaval. Depois eu conto.
posted by LUIS AUGUSTO SIMON 3:01 PM

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Terça-feira, Outubro 19, 2004

AFUNDOU
Assisti ontem ao pior filme do ano. do século.
Chama-se o Ancora. Fujam.
tem um monte de ator bom - Tim Robbins, Luke Wilson, Paul Rudd e Cristina Applegate - reunidos para acabar com meu fim de noite. ô bosta.
posted by LUIS AUGUSTO SIMON 3:39 PM

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OMOJÁVENCEU
Recebi essse email da fotógrafa Monica Zarattini
Epessoal, estou repassando o artigo do Filósofo e professor da USP Emir Sader publicado na Revista Carta Maior.
RLeiam , é ótimo. Mônica


OMO PARA PREFEITO/


¿OMO lava mais branco. OMO lava mais branco. OMO lava mais branco.¿ ¿Quem lava mais branco?¿ Quando a resposta é avassaladora a favor de OMO, o resultado não expressa a opinião do consumidor, mas a efetividade da campanha de publicidade. É isso que mede a pesquisa, que instala um jogo de bumerangue entre os produtores do ¿consenso fabricado¿ ¿ na expressão de Chomsky ¿ e as vítimas passivas, que reagem como cachorrinhos da experiência de Pavlov diante dos estímulos a que os submetem. (Veja-se os eloqüentes relatórios da Mídias Watch, significativamente desconhecidos pelos jornais que exercem alegremente o monopólio privado da mídia.)

A campanha eleitoral para prefeito de São Paulo reproduz um mecanismo similar. Um candidato é promovido como o melhor pelos dois maiores jornais paulistas - valendo-se de um monopólio privado da mídia similar ao da Venezuela ¿ e sua adversária é desqualificada sistematicamente. As pesquisas testam a efetividade da campanha, que devolve aos produtores monopólicos da opinião pública o resultado satisfatório de sua imposição totalitária.

Não importa se o candidato é um aventureiro, que já foi candidato a tudo, que abandonou os cargos que ocupou em busca de mais poder ¿ a começar por sua carreira de líder estudantil, que culminou com sua eleição para a presidência da UNE, onde decretou greve geral no golpe e abandonou o país em seguida, para só retornar quando os riscos maiores da resistência tinham acabado. Não importa se deixou seus mandatos no legislativo para exercer cargos de poder no executivo quando foi eleito ¿ lembram-se quem exerceu o mandato de senador que ele conquistou, para ressaltar os riscos de se ter um prefeito eleito como vice, sob enormes suspeitas de corrupção?

Não importa se São Paulo nunca teve um conjunto de políticas sociais tão distribuidoras de renda, o que interessa é atacar o aumento dos impostos que tornou possível essas políticas ¿ sistematicamente desconhecidas pelos dois jornais -, acirrando a consciência egoísta da classe média, que assim não lutará por uma ordem social mais justa, mas aceitará a política truculenta de segurança pública do governo do Estado, que ameaça estender suas garras sobre a prefeitura.

Não importam as incongruências de dizer que vai diminuir os impostos, mas vai manter as políticas sociais, financiadas por esses impostos. Mente quando diz que vai baixar os impostos. Ou mente quando diz que vai manter as políticas ¿ agora já confessa que vai parar com os CEUS. Ou mente as duas vezes, porque nem vai baixar os impostos, nem vai manter as políticas sociais.

O que interessa é a promoção do candidato favorito da Avenida Paulista, dos bancos, dos sentimentos conservadores da classe média e da burguesia paulistana ¿ que deixaram de ser malufistas para ser tucanos.

E se algo não funcionar, ai estão as vastas páginas desses jornais, onde não há uma única voz dissonante, entre cobertura e colunistas. Parece que não existe mais direita, Jorge Bornhausen, Chalita, Alckmin, tucanos, FHC, capital especulativo, sistema bancário. Existe apenas o antipetismo, que amalgama diferentes vozes em único coro: derrotar o PT, onde quer que seja ¿ em Porto Alegre ou em Campinas, em São Paulo ou em Belém.

A imprensa privada paulista revela assim como tão pouco se democratizou no Brasil com o fim da ditadura. Como continuam nas mãos de algumas famílias a propriedade das grandes empresas de comunicação, que tentam fazer passar suas opiniões e interesses como os da ¿liberdade e da democracia¿, gritando em uníssono quando o governo tenta regulamentar minimamente atividades que recebem subvenções, isenções e perdões de dívidas dos impostos pagos pela mesma população vitimizada pelas ações monopólicos desses órgãos.

Se OMO ganhar, será uma vitória da ditadura monopólica da mídia privada, que terá do que se regozijar. Mas, se como na Venezuela, o povo votar contra essa imposição, esse consenso fabricado, terão ganho a democracia, a distribuição de renda e a possibilidade de participação popular e terá sido derrotado o Brasil que concentra renda, exclui direitos e condena ao massacre os jovens e crianças pobres das periferias.






posted by LUIS AUGUSTO SIMON 3:37 PM

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Sábado, Outubro 16, 2004

MACHOMAN
Hoje, não canso de me lembrar do grande Rubão. O dia inteiro e não sabia o motivo. Havia alguma coisa no ar. Só percebi agora. Tem Village People na cidade. Vocês se lembram como era mimoso o nosso roliço lem da costa dançando macho man e ymca? Aqui, uma homenagem ao desbravador da terra de sarney.

Young man, there's a place you can go
I said, young man, when you're short on yiur dough
....
Its fun to stay at the YMCA
posted by LUIS AUGUSTO SIMON 11:10 PM

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Quinta-feira, Outubro 14, 2004

PARREIRICE
Amigos,

Hoje, vou falar de outra Seleção. Sou fã do Parreira, penso que ele é o técnico ideal para a Seleção Brasileira, mas ontem ele exagerou no pragmatismo. Trocar Zé Roberto por Edu e achar que com isso vai mudar alguma coisa em um time que precisa vencer, é demais. Foi seis por meia dúzia e olhe lá.

E o pior é que não havia outra opção no banco. O que o time precisava para vencer a Colômbia? Até um recém-nascido sabe. Alguém que abrisse o campo, que fizesse os zagueiros da Colômbia terem de sair da área. Perea, Córdoba e Yepes são bons zagueiros, atuam na Europa e ficaram ali no meio. O Brasil facilitou para eles.

Quem faltou? Robinho, é claro. Ele tem capacidade de virar um jogo, com sua fantasia e inventividade. Com uma ou duas pedaladas, mudaria o jogo. O Felipão tinha o Denílson para fazer isso. Robinho é melhor e não é levado em conta por Parreira.

Bem, Robinho não foi convocado. O que fazer? Colocasse o Luís Fabiano aberto, junto com Adriano e Ronaldinho e recua o Ronaldinho Gaúcho para enfiar umas bolas. No bom sentido, é claro. Mas, não. Parreira abusou da mesmice. Tirou Zé Roberto e colocou Edu. O que ele esperava? Milagre? Não deu. Ficou no empate.
Um abraço
posted by LUIS AUGUSTO SIMON 7:57 PM

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Quarta-feira, Outubro 06, 2004

FRANGO
Jabaquara, velho cabo eleitoral, avisou: Maria do Lípio estava convidando para um jantar em sua casa, para conhecê-lo e decidir seu voto. Pancho, o candidato, ficou exultante. Dona Maria, mulher de seu Alípio, era conhecida por pensar muito antes de decidir o voto. Além disso, tem muitos parentes e a eleição estava dura. As pesquisas - Itapuí, no alto de seus quase 8 mil eleitores, inovava, com pesquisas - mostravam que ele estava na frente, depois de grande recuperação, mas a vantagem era pequena.
Sim, apesar do apuro da agenda, ele iria até a casa de Maria do Lípio. Uma passada, uma conversa, meia horinha e seguiria para um churrasco com outros correligionários. Pancho não tem o apelido por ter. É bem gordo, adora cerveja e carne de churrasco sangrando. Na mesma intensidade com que odeia carne de frango. Como Telê Santana, acredita que carne de frango é como chiclete.
E lá foi ele para o jantar. Com ele, Mirde e Juninho, candidatos a vereador. Mirde é Evandro, amigo de todos, compositor de jingles e imitador de Clodovil. Sempre ajudou nas campanhas e só agora havia resolvido se candidatar. Muito humilde. Humirde. Mirde.
Olho no relógio, Pancho chega, abraça Maria do Lípio e espera a comida, pronto para sair. Recebe elogios: esse candidato é bom, aceitou vir aqui comer a minha comida. Conversa, conversa e nada de servir a mesa.
Maria pede um minuto de atenção e coloca no ar, a telemensagem que havia recebido do marido, por conta do aniversário. Roberto Carlos ao fundo, voz de locutor de motel e muitos elogios. E o tempo passa.....
E vem o almoço. Arroz com presunto, salada de alface e tomate e DUAS enormes coxas de frango para cada um. Pancho começa a suar. Não gosta de frango, não gosta do sabor do frange e detesta o cheiro do frango. E como falar isso sem correr o risco de perder o voto de Maria do Lípio? Ataca a salada e, desesperado, quase chorando, pede ajuda ao Mirde.
O apoio não é negado. Uma coxa escorrega para o seu prato e outra vai para Juninho. Livre, desimpedido, Pancho respira aliviado e pega o vinagre para atacar a salada. Vai passar fome, mas garante o voto. E ainda há o churrasco a lhe esperar. Mesmo que esteja atrasado.
Pancho se dedica ao arroz. Dá uma garfada, dá a segunda e pára. Olha bem para o presunto e dá um chute na canela de Mirde. ¿Fudeu, isso não á arroz, é risoto de presunto com frango. O que eu faço?¿
Não há solução. E lá vai o Pancho, no trabalho minucioso e milimétrico de afastar os micro pedaços de frango, deixando apenas o arroz e o presunto. Dedicado à tarefa, preocupado, triste, leva um susto com o berro de Maria.
¿Ganhou meu voto. Além de ser do povo, vir na minha casa, comeu com gosto minha comida. Alguém me traga outra coxa e um peito para nosso prefeito.¿
O que é uma eleição? Vale a pena ser prefeito. O berro de Pancho é uma resposta negativa. ¿NÃÃÃÃÃÕ, POR FAVOR NÃO¿.... Maria do Lípio se assusta e volta. Mirde e Juninho chutam a canela do Pancho. Há tempos a turma tenta ganhar a Prefeitura e todo sacrifício precisa ser feito.
Quase todos. Pancho confessa a Maria do Lípio seu horror a frango. Diz que o pai o obrigava a comer, que nunca foi feliz, isso e aquilo. Maria olha, duramente. Olha, olha, e começa a chorar. ¿Itapuí precisa de um prefeito honesto como você. Ganhou meu voto.¿ Pancho abrriu a boca. Beijou Maria e correu para o churrasco.
posted by LUIS AUGUSTO SIMON 8:20 PM

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Terça-feira, Outubro 05, 2004

OS POBRES PERDERAM
Para começar, uma constatação acaciana: vitória é vitória e derrota é derrota. E a frase ¿segundo turno é outra eleição¿ não se sustenta em fatos. Então, é isso. Serra ganhou e Marta perdeu. E Serra tem tudo para ganhar de novo.
Uma segunda olhada sobre os números, porém, deve encher de orgulho quem gosta do PT. A prefeita Marta Suplicy ganhou em todas as regiões em que a pobreza predomina. Em todas as regiões em que enfrentou a pobreza. Foi votada por aqueles que defendeu. Por aqueles para quem governou. Como a sua derrota, isso é inquestionável.
O fato serve para enfrentar também a máxima preconceituosa que diz que o povo não sabe votar. O povo pobre votou por quem lhe deu bilhete único, uniforme escolar, renda mínima e merenda decente. E acreditou que essa mesma pessoa, esse mesmo partido vai lhe dar saúde.
Os números mostram também que estão errados os que dizem que há uma proximidade muito grande entre PT e PSDB e que a diferença não é ideológica e sim uma questão de gestão, de bom gerenciamento. O PSDB tem raiva de povo e de política. Isso não muda.
Enfim, os que votaram no Collor estão felizes. Como há 15 anos, venceram. Não há dúvida.
posted by LUIS AUGUSTO SIMON 1:33 PM

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